Falar Sem Parar: documentando pessoas e paixões em uma websérie em prol do bem-estar social | Cidade do Rio

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Falar Sem Parar: documentando pessoas e paixões em uma websérie em prol do bem-estar social

Publicado por cidadedorio em 25/01/18 | Rio

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Há alguns anos escutei essa frase: “Pessoas são como peças de dominó. Que reação você irá desencadear hoje?” Quando estava trabalhando como jornalista, em assessorias de imprensa e em redação, eu via bastante o poder da comunicação (mesmo quando não-verbal) em provocar reverberações. Idealizei, então, uma websérie que tinha o objetivo de extrair, registrar/documentar e divulgar pessoas e suas respectivas paixões. Dessa maneira, acreditei, eu conseguiria criar uma onda de amor e bom intento: trazendo afeto à tona, o todo pode ser transformado.

Isso foi lá pra 2014 e batizei o projeto de “Falar Sem Parar”. Acho que quando somos movidos por algo, toda nossa existência (nossa fala, nosso corpo, nossas intenções) parece querer comunicar algo. Você quer berrar pro mundo e botar aquilo pra fora. Esse é o conceito por trás do nome e resolvi imprimir a pegada tanto na entrevista quanto na pós-produção. Fui lá e fiz: agendei cerca de dez entrevistas, fui com minha câmera semiprofissional, um tripé, um gravador “meia-bomba” e sentei numa cadeira pra papear com esses indivíduos.

Logo nos primeiros entrevistados, pude perceber que estava começando um caminho sem volta. Digo isso porque o sentimento dessas pessoas começou a aflorar. A pessoa, quando está apaixonada por algo, fica com os olhos brilhando e começa a filosofar sobre o impacto disso em suas atitudes, desejos e aspirações. Pensei: “Ora, se eu documentar isso aqui no Rio, vai que em algum lugar desse Brasil alguém assiste e se inspira a buscar e construir suas próprias paixões?” Empreendedorismo, família, trabalho duro, Deus e até a relação de um cachorro com seu dono já foram temas dos quase 60 episódios da websérie que venho dirigindo há quase quatro anos.

Desenvolvi um método orgânico, bem simples, para deixar a pessoa tranquila o suficiente para se doar e revelar suas paixões: fazer-me vulnerável. Na hora de entrevistar, tento me despir de todos os meus pré-conceitos, valores, crenças e julgamentos. Quando o entrevistado nota isso, se sente à vontade para liberar suas intimidades, suas “pieguices”. Ele se entrega. Imagina eu, que sempre fui tão curioso sobre a existência e sobre o conhecimento, poder conhecer dezenas e dezenas de histórias de pessoas que estão tentando fazer a vida funcionar por meio das paixões.


Agora, em 2018, retomo o projeto após um longo hiato – inclusive, o vídeo acima é o episódio de “retorno”. Quero continuar encapsulando histórias. Afinal, elas registram esses indivíduos hoje e, em algum ponto, os vídeos serão um tributo ao que eles já foram e fizeram. Faço isso por amor, porque revoluciona o outro (que revela sua verdade, sua paixão) e me edifica enquanto colecionador dessas histórias. Fazer-me vulnerável, ser curioso sobre a vida, abraçar o outro e disseminar essas mensagens só me fez bem; é quase como um remédio. Sigo exatamente como o Professor Hermógenes falava: “Entrego, Aceito, Confio e Agradeço”.