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O desafio dos transportes públicos no Rio, e o exemplo europeu

Publicado por cidadedorio em 09/04/13 | Rio 2014/16

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Por André Delacerda e Diogo Fagundes,

Quando voltamos da Europa um dia desses, e estávamos no ônibus de turismo que faz o trajeto do Aeroporto do Galeão até a Zona Sul, a coisa que foi mais gritante aos nossos olhos naquele instante foi a quantidade de carros, o engarrafamento e o caos que se tornou o trânsito do Rio.

A logica atual é fazer mais corredores, ter mais carros e mais ônibus; estes últimos, mesmo que mudem de cor como se tivessem se transformando em algo diferente, continuarão sendo ônibus.

Ninguém parece pensar que esse mesmo sistema que hoje é tido como bom, vai entrar em colapso, ou melhor, já entrou e vai continuar parando cada vez mais. Nem as autoridades e nem a população parecem ter essa consciência tão grande, um acha que está fazendo o melhor, quando poderia dar uma guinada para a qualidade de fato, e a outra parte, consome carros como se fossem brinquedos. Claro que a a população tem direito de ter seu carro. Porém, será que já pensou que daqui uns anos, pode perder o seu luxo, e vai ser obrigada a deixa-lo em casa pois não vai conseguir transitar com facilidade?

A Linha Vermelha já tem um fluxo muito acima do esperado, chegando na cidade pode-se ver uma coluna de ônibus se formando. Com este cenário, seria mais rápido e fácil um passageiro sair andando, do que continuar no veículo.

Soluções estão sendo apresentadas, VLT na Zona Portuária e Centro, além dos BRTs que se multiplicam assim como BRS.

Cá para nós, essas história de corredores é bom por um certo tempo, mas depois, tudo segue o caminho do engarrafamento e dos problemas no trânsito, vide o que já começa a ocorrer na TransOeste, inclusive com a super lotação dos ônibus do BRT.

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Na nossa viagem a Alemanha e Catalunha, vimos uma lógica de transporte público que estimula o cidadão a usá-los. E olha que a Alemanha é um país que ama os carros, tem uma indústria automobilística forte, mas lá, eles incentivam o transporte de massa e também o sustentável. Boas ciclovias, metrô e bondes funcionando plenamente, e evita-se assim o caos no trânsito. Claro, tem um engarrafamento as vezes, mas não como aqui.

Na Alemanha o sistema de metrô se integra com o bondes (VLTs) e/ou tramos, trens regionais e também com o de alta velocidade o ICE (trem bala deles), há muitas estações em que todos eles se integram, facilitando mais ainda a vida do usuário dos transportes públicos. Inclusive há estações nesse mesmo estilo em aeroportos.

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Já as estações de metrô são simples. E o que tem de errado em serem simples? Com tanto que funcionem e não haja super lotação, ao contrario daqui, onde exageram no revestimento de granito em algumas estações, mas os trens estão tão cheio de gente que para fechar as portas tem de usar funcionários para empurrar os usuários para dentro. Eu sei vão dizer no Japão também tem isso, mas lá a população é infinitamente maior do que a daqui.

Nós inclusive andamos de metrô no horário de pico deles, e constatamos que os usuários não ficam apertados como aqui. Entramos com malas grandes, com mochilas de equipamentos e o espaço era suficiente e adequado.

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Na Espanha os trens de subúrbio pareciam trens de luxo, e certamente no Brasil seriam considerados luxuosos demais para serem colocados em linhas de regiões mais periféricas. O que é luxo para nós é normal para eles´. O cidadão nesse sentido é tratado como deve, com respeito e qualidade.

VLTs (bondes) cruzam as ruas dessas cidades, as livrando daquela quantidade enorme de ônibus que temos aqui. Todas as linhas férreas para os bairros mais distante funcionam, e eles até tem a ousadia de colocarem nas estações de metrô e VLT marcadores de tempo informado o hora exata.

O grande desafio aqui no Rio de Janeiro é mudar essa lógica, fazer com que a população comece a demonstrar que não está de fato satisfeita com os programas que estão nos propondo, e as autoridades resolverem ser mais ousadas e implementem um programa de verdade nos transportes e que beneficie de fato o cidadão através do transporte sobre trilhos.

É hora de acordar, se não,  as miragens de engarrafamentos de hoje, se tornarão o pesadelo amanhã e sempre.

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