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Um Rio que olha para o seu Centro, mas que não o enxerga

Publicado por cidadedorio em 20/05/13 | Rio 2014/16

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Editorial da Semana

Por André Delacerda e Diogo Fagundes,

Aqui o Centro é lugar de negócios, de comércio. O lazer a décadas bateu as portas do Centro. Na verdade ele nunca deixou de existir no Centro, vide a Lapa bem ali ao lado dos arranha-céus da área comercial e financeira; que é um dos lugares prediletos dos cariocas para curtir a noite.

Mas o que falta a zona central da cidade para ganhar o status que bairros como Ipanema e Leblon tem?

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Nos últimos meses e décadas inúmeros projetos tem sido anunciados para melhorar o mobiliário urbano e acessibilidade desta região. VLT, calçadão em parte da Avenida Rio Branco, Revitalização da Zona Portuária em andamento, são alguns dos exemplos. Projetos que saíram do papel e ganharam as ruas desta parte da cidade e também habitam ainda nas pranchetas e maquetes eletrônicas. Oxalá aconteçam.

O Centro é de fato a bola da vez!

A região possui a melhor infra-estrutura montada da cidade. Como por exemplo, um bom número de estações de metrô na sua espinha dorsal, rede elétrica suficiente, quase todas as ruas tem pavimentação, etc.

Nos últimos anos, ocorreu uma migração residencial para esta área, fazendo surgir lares onde antes haviam escritórios. Esses corajosos e pioneiros que resolveram morar no centro por encontrarem ali preços melhores de imóveis ou por acreditarem que ali podem viver melhor, convivem com iluminação e segurança precárias, limpeza pública beirando ao descaso tanto por parte do poder público quanto pela população que ali transita.

Se formos enumerar os problemas do centros, estes passam pelo esgoto a céu aberto em ruas próximas a Central do Brasil, a falta de um plano de manejo ambiental que contemple principalmente a arborização e a coleta seletiva.

Soluções, planos? Existem várias!

Temos que ter em mente que eventos como a Copa 2014 e as Olimpíadas de 2016 não vão solucionar os problemas reais ali existentes como em um passe de mágica.

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Dar somente um banho de loja nas artérias principais não mudará tanto assim a realidade do centro que vive com calçadas degradadas, população de rua crescente, trânsito caótico e falta de sinalização.

Mudar o centro ou fazer com que as pessoas o enxerguem como um lugar especial demora tempo, custa recursos que devem ser aplicados de forma contínua e também envolve engajamento, principalmente dos poderes públicos, bem como, da população.

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É um processo que é imaterial, que não diz respeito somente a ferro e concreto, mas também, que se materializa através da conscientização dos que ali trabalham ou transitam que o local não é somente uma passagem ou um depósito de coisas e negócios, mas um ser vivo que precisa de cuidados, atenção, respeito.

O processo de revitalização do centro passa por duas mãos, uma estrutural e uma emocional. Que nossas autoridades e população enxerguem esses passos como uma longa e correta estrada a ser seguida.